Mundial Masters em Budapeste na visão de uma jornalista/nadadora

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Por
Alex Pussieldi/bestswim.com.br

Mayra Siqueira é jornalista/nadadora, ou nadadora/jornalista. É difícil saber se ela manja mais de natação ou de futebol. Figura de destaque nas rádios CBN e Globo, além de frequente participante do Seleção SporTV e repórter da revista Swim Channel, está sempre nas coberturas dos jogos dos principais campeonatos. Toda esta responsabilidade profissional sempre é combinada com as práticas do esporte que ama e treina com afinco. Budapeste, foi seu terceiro Mundial e traz neste relato um pouco da emoção que foi participar da competição.

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Se liga nos vovôs

“Ei, no nosso Mundial não teve isso, não!”

Foi o comentário de Bruno Fratus em uma foto do meu Instagram, em que eu e meus pais estávamos em uma jacuzzi gigantesca, dentro da Duna Arena, em Budapeste. Bom, para os leigos do esporte aquático amador talvez soe muito estranho, mas os fissurados nadadores masters por todo o planeta já sabem que, desde Kazan-2015 os Mundiais Master são disputados dias depois do absoluto, utilizando as mesmas piscinas (e mais um pouco. Afinal, foram mais de 20 mil inscritos, segundo a FINA. Haja piscina!) e a mesma estrutura de ponta.

Talvez tenha demorado um pouco para que a FINA percebesse o potencial econômico dos nadadores masters: muitos recém-aposentados da natação profissional, muitos ex-profissionais que finalmente encontraram tempo em suas atribuladas vidas para voltar a competir, e muitos aposentados e marinheiros de primeira viagem que começaram a nadar depois de “veteranos” e acabaram tomando muito gosto pela coisa.

E quem não toma? Estrutura de primeira linha nas principais piscinas, telão eletrônico com os nomes dos competidores e uma bandeirinha de qual país representam (no Mundial Master, os atletas defendem seus clubes, mas o telão indica apenas o país de origem), arbitragem oficialíssima, premiação com música, medalha, certificado e um buquê de flores! Arquibancadas, barraquinhas de souvenires e muita, muita opulência para que os veteranos levem lembrancinhas de orgulho: “Eu nadei um Mundial em Budapeste”, pode contar o vovô aos netos, enquanto os presenteia com camisetas, toucas e paranafernálias diversas do evento. Alias, pode até comprar uma medalha souvenir, caso não tenha tido a oportunidade de conquistar uma nas piscinas. Na Hungria, diferentemente dos anteriores, as provas individuais premiaram apenas até a sexta colocação. Até Kazan, o décimo colocado de cada prova individual levava pra casa uma espécie de medalha de “latão”.

Até Montreal-2014, os eventos eram separados do absoluto, o que gerava um outro tipo de divertimento, mas menos luxo e, estruturas muito menos profissionais que as encontradas a partir da Rússia, no ano seguinte. Aliás, uma reclamação comum dos competidores em Budapeste foi a distância da competição profissional da dos masters: duas semanas separaram os eventos, impossibilitando que os nadadores chegassem uns dias antes e vissem seus ídolos quebrarem recordes mundiais na mesma piscina em que nadariam pouco depois, como aconteceu em Kazan.

Assim, retornamos à jacuzzi da Duna B, a piscina de soltura do mundial dos profissionais, que esteve com toda uma preparação especial para agradar os “vovôs”, doidos para encher os cofres da FINA, e colecionarem sorrisos, histórias, e algumas conquistas porventura relevantes.

Se você acha que não tem graça, é porque não viu revezamentos 320+ (soma de idade dos competidores), com o time livre misto da Áustria, por exemplo, tendo um atleta nascido em 1924. Um senhorzinho que inevitavelmente viu e viveu a II Guerra Mundial, por exemplo, e que considerou fichinha completar os 50m do revezamento em 1m20s…

Ou talvez não tenha imaginado quantos ex-olímpicos dão uma aparecida, talvez saudosos da glória, pódios, medalhas e cerimônias de premiação. E o susto dos “reles mortais” que olham, no balizamento, um cara como Darian Townsend, ouro olímpico em 2004 pela África do Sul no revezamento 4x100m livre e, hoje, naturalizado e representando os Estados Unidos. Em sua série, tranquilo na raia 4, talvez tenha sido displicente ao não perceber que, na raia 1, o espanhol Mikel Bildosola acelerava para fechar 13 centésimos na sua frente e levar o ouro nos 100m livre, categoria 30+…

De pedidos de casamento a histórias de vida e sobrevivência graças às piscinas, os jovenzinhos, balzaquianos, e todo o clube dos “enta”, enchem os bolsos da FINA, divertem-se e demasia, imitam uma realidade profissional e vivem uma experiência única.

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Gwangju, take your marks!

Mayra Siqueira está no Twitter @mayrasiqueira

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